terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Angústia

Segundo Freud, é o estado afectivo (emocional) puro, correspondente à ansiedade, ao medo e ao susto, mas que pode prescindir do objectivo, ou seja, pode existir como sentimento, isoladamente, sem necessitar de causa, motivo ou razão de ser.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Em Carne Viva



Bem, não sou mística. O misticismo incomoda-me e, no entanto, já me aconteceram diversas situações que me fazem pensar. A estranheza das coincidências… a procura de razões para explicar situações que vão ocorrendo e que é difícil aceitar que são meras coincidências. Isto para dizer que me veio parar um livro à mão, folheei e não pude deixar de trazer, e parece-me demasiado estranho este encontro. Este livro é para mim! !!!
Não pelo título “Em carne viva” (apesar de descrever aquilo que sinto neste momento), mas por algumas frases que vêm de encontro àquilo que tenho vivido nestes últimos tempos.


“Quero levar para dentro da minha estupidez, agora, os meus entusiasmos, os meus medos, traições e mesquinhez, mas também duas ou três coisas boas que tenho, para que se misturem com as tuas, para que os meus medos e os teus se confundam, e os falhanços que tivemos e que continuamos a ter, corrige-me se me engano, corrige-me


Fica comigo, reanima-me, diz-me, sê luz


Mas o que te dei eu, apenas palavras, e o que é que as palavras podem. Aparentemente às vezes podem mesmo. Talvez haja momentos de graça em que os céus se abrem sob a face da terra”
David Grossman

Eu, Tu e Todos os que conhecemos


Título original: Me and You and Everyone We Know
Realização: Miranda JulyI
ntérpretes: John Hawkes, Miranda July, Miles Thompson, Brandon Ratcliff, Carlie Westerman, Hector Elias, Brad William Henke, Natasha Slayton, Najarra Townsend
Estados Unidos/Grã-Bretanha, 2005Estreia: 6 de Julho de 2006

(…)Digamos que se fosse possível refazer a angústia de Antonioni com a ironia e o distanciamento de um Paul Thomas Anderson, o resultado seria qualquer coisa como este optimismo púdico e contagiante. O filme tem o look de uma crónica realista que se vai transfigurando em conto quase fantástico, mas de um fantástico puramente interior, enraizado nos afectos que as personagens partilham ou tentam partilhar. Não há exactamente personagens centrais, uma vez que prevalece um curioso efeito coral, quase melodramático. Em todo o caso, tudo se desencadeia a partir dos encontros e desencontros de Richard (John Hawkes), empregado de uma sapataria, e Christine (a própria Miranda July), uma jovem que mantém um serviço de taxi para idosos, ao mesmo tempo que se entrega às suas mais ou menos insólitas artes performativas. Entre as personagens circundantes, há uma miúda que colecciona miniaturas de electrodomésticos (para o seu casamento!) e ainda os dois filhos de Richard, naufragando na recente separação dos pais, o mais novo dos quais, de sete anos, marca inadvertidamente um encontro erótico através da Internet! (…)– João Lopes


Finalmente tive tempo de o ver. Estava em lista de espera desde Setembro. Não é que a lista seja longa e tenha visto muitos outros filmes que gostaria de ter visto no cinema. É que simplesmente não tenho tido tempo para nada: trabalho, trabalho, trabalho e outros afazeres que me consomem o tempo e a alma e me deixam angustiada…
Finalmente vi e cheguei à conclusão de que a “nossa necessidade de consolo é impossível de satisfazer”.
Vejam. Fiquem angustiados, enternecidos, pensativos… mas vejam.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Definição de Mim




“… tem um feitiozinho especial, muito directa, muito transparente, sempre muito, muito angustiada…”
Há sempre alguém que me conhece tal qual como sou. Há sempre alguém que consegue ir para além da superfície e chegar à essência de mim. Quem não desiste, após as primeiras e más impressões, consegue chegar ao âmago da minha angústia e compreender que a minha necessidade de consolo é impossível de satisfazer.










A culpa de sobreviver


' Morte au Soleil IV' Vollard Suite
Pablo Picasso

Quando alguém que nos é querido desaparece, pagamos com mil pungentes remorsos a culpa de sobreviver. A sua morte descobre-nos a sua singularidade única, esse alguém torna-se vasto como o mundo que a sua ausência destruiu para ele, e que a sua presença fazia existir todo inteiro; parece-nos que devia ocupar mais lugar na nossa vida: uma totalidade sem margens. Arrancamo-nos a esta vertigem: não era senão um indivíduo entre outros. Mas como não fazemos nunca por ninguém tudo o que está ao nosso alcance — mesmo dentro dos limites possíveis que nos são fixados — restam-nos ainda muitas censuras a dirigir-nos.

Simone de Beauvoir, in Uma Morte Serena

A Vida....

Van Gogh


A vida é um estado de dureza e infelicidade durante o qual não se deve pensar de mais no dia de amanhã, porque o dia de hoje já é suficientemente difícil. Como pode alguém não perceber que o mundo humano não é uma coisa flutuante, antes tende para uma condenação máxima, porque a menor irregularidade o faz correr o risco de se desmantelar completamente? Mais ainda: como pode um observador deixar de reconhecer que essa mistura de preocupações, de instintos, de ideais que é a vida (a vida, que não utiliza nunca as ideias senão para abusar delas para seu proveito, ou para as transformar em excitantes), actua sobre essas ideias para lhes dar forma e coerência, e que é dela que as ideias recebem o movimento e a sua limitação natural? É certo que é da uva que se extrai o vinho, mas é muito mais bela a vinha, com a sua terra incomestível e as suas filas de cepas, do que jamais será uma dorna de vinho!


Robert Musil, in O Homem sem Qualidades