O Grito, E. MunchO ano lectivo está a chegar ao final. No entanto, tenho trabalhado tanto, que desenvolvi uma espécie de disfunção – disfunção psiconeurótica (a palavra é assinalada como erro e depois de uma pesquisa para precisar o seu significado, fiquei ainda mais neurótica, ou devo dizer, esquizóide, obsessiva–compulsiva, etc.) de pânico de férias. De uma forma mais simples, tenho medo de ficar de férias.
Medo de não saber o que fazer ao tempo livre de que vou dispor.
Medo de me confrontar comigo própria.
Medo de pensar, de pensar naquilo que me magoa e me angustia.
Medo de não saber estar tanto tempo com as pessoas cá de casa.
Medo dos momentos de tensão a que não posso virar as costas dizendo - “vou trabalhar”.
Medo da minha inflexibilidade perante alguns comportamentos recorrentes.
Medo de me sentir asfixiada.
É importante explicar. Trabalhar tem sido para mim uma espécie de terapia. Quando estou a trabalhar sinto uma espécie de liberdade, de autonomia, que por várias razões (algumas são óbvias para aqueles que me são próximos) não sinto quando estou em casa. Em casa deparo-me com as limitações e constrangimentos circunstanciais e com os quais tenho lidado muito mal. Não me apetece ser mais precisa. Podia tornar-me inconveniente. Nada que não faça parte da minha essência, mas neste caso prefiro evitar. A trabalhar não sinto que estou a realizar “a minha obrigação”, “o meu dever”, sinto que tenho o privilégio de fazer coisas que me dão prazer.
Medo do vazio. Medo do vazio.
Esta disfunção, esta incapacidade de me sentir compensada e consolada com momentos de lazer, assusta-me e preferia não ter de a reconhecer. A análise psicológica da situação é demasiado fácil de fazer. Não é necessário ter conhecimentos profundos em psicologia. E, ao contrário da generalidade das pessoas, necessito, talvez de um ansiolítico para reduzir a ansiedade resultante da aproximação das férias.
Esta semana estou naturalmente medicada. Muitas horas de trabalho por dia. A minha funcionalidade será testada e posso, assim, adiar a tal disfunção que prefiro nomear por PDF.
Medo de não saber o que fazer ao tempo livre de que vou dispor.
Medo de me confrontar comigo própria.
Medo de pensar, de pensar naquilo que me magoa e me angustia.
Medo de não saber estar tanto tempo com as pessoas cá de casa.
Medo dos momentos de tensão a que não posso virar as costas dizendo - “vou trabalhar”.
Medo da minha inflexibilidade perante alguns comportamentos recorrentes.
Medo de me sentir asfixiada.
É importante explicar. Trabalhar tem sido para mim uma espécie de terapia. Quando estou a trabalhar sinto uma espécie de liberdade, de autonomia, que por várias razões (algumas são óbvias para aqueles que me são próximos) não sinto quando estou em casa. Em casa deparo-me com as limitações e constrangimentos circunstanciais e com os quais tenho lidado muito mal. Não me apetece ser mais precisa. Podia tornar-me inconveniente. Nada que não faça parte da minha essência, mas neste caso prefiro evitar. A trabalhar não sinto que estou a realizar “a minha obrigação”, “o meu dever”, sinto que tenho o privilégio de fazer coisas que me dão prazer.
Medo do vazio. Medo do vazio.
Esta disfunção, esta incapacidade de me sentir compensada e consolada com momentos de lazer, assusta-me e preferia não ter de a reconhecer. A análise psicológica da situação é demasiado fácil de fazer. Não é necessário ter conhecimentos profundos em psicologia. E, ao contrário da generalidade das pessoas, necessito, talvez de um ansiolítico para reduzir a ansiedade resultante da aproximação das férias.
Esta semana estou naturalmente medicada. Muitas horas de trabalho por dia. A minha funcionalidade será testada e posso, assim, adiar a tal disfunção que prefiro nomear por PDF.
