domingo, 28 de junho de 2009

Da Minha Janela

PabloPicasso,Woman-at-a-Window

Espreito a noite e as estrelas
A imensidão escura de um céu
pontilhado de brilho.
De um brilho que queria sentir
No meu peito.
O fumo do cigarro aquece a melancolia
despovoada e silenciosa.
Os argumentos deslizam na mente fatigada
De tento rever a mágoa molhada em palavras
Que se repetem.
A arquitectura da mente e da alma espelham
A impossibilidade da espera.
O sentir e o pensar, paradoxos incomensuráveis
Que a noite abarca num oceano de incertezas.
E amanhã? Da minha janela, contemplarei o mesmo?

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Ideia do amor

Foto, Francisco Mendes



Viver na intimidade de um ser estranho, não para nos aproximarmos dele, para o dar a conhecer, mas para o manter estranho, distante, e mesmo inaparente - tão inaparente que o seu nome o possa conter inteiro. E depois, mesmo no meio do mal-estar, dia após dia não ser mais que o lugar sempre aberto, a luz inesgotável na qual esse ser único, essa coisa, permanece para sempre exposta e murada.


Ideia da Prosa, Giorgio Agamben