sexta-feira, 12 de março de 2010

Intermitências da vida


Depois de uma longa estadia na gruta necessito de renascer para a vida. Para a vida vivida - monótona, maçadora, violenta, desgastante, opressora, constrangedora, brutal… mas também para a vida sonhada – libertadora, arrebatadora, surpreendente, entusiasmante, empolgante, comovente, alegre…
A tentativa de encontrar um equilíbrio que me permitisse encarar a realidade sem angústias opressoras, saiu gorada. No entanto, sinto-me mais forte, mais capaz de lidar com as “intermitências da vida”. A “mulher-cão” que habita em mim tornou-me ainda mais feroz, mas não tenho mordido, não quero morder…                        

Quero alcançar a serenidade suficiente que permita aos “outros” aproximarem-se. Sim, não mordo. Ladro. Às vezes com uma ferocidade que até a mim me assusta. Nessas alturas, sou eu que fujo de mim própria. Mas também sou dócil, sou dócil com aqueles que me inspiram confiança, amizade, ternura…

Abri a porta à estranheza da vida. Não quero voltar a fechá-la. Quero simplesmente viver a vida!

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