Esta “coisa” do Facebook conseguiu que despendesse de algumas horas da minha vida numa suposta actividade social. Comecei a compreender o funcionamento da “coisa” e rapidamente consegui “fazer” muitos amigos. 110 é um número redondinho que pretendo aumentar (a minha auto-estima assim o exige). Num contexto “facebookiano” sou uma provinciana principiante com muitas dificuldades em acompanhar este mundo globalizado. Terei ainda de continuar a “cuscar” para que o meu número de amigos se aproxime de algo aceitável :-)). (Dava uma tese compreender a semiótica destes símbolos.)
O paradoxo existencial, e não virtual, que decorre desta actividade resulta de a maioria destes amigos não serem de carne e osso e não cumprirem a função de amigos. Por outro lado, e não menos paradoxal, aqueles que são pessoas, que se apresentam como pessoas e que, supostamente, cumprem a sua função de amigos - virtualmente, de vez em quando “gostam” do que partilhamos no “muro” dos “gostos” e nós gostamos dos gostos dos outros – estão mais disponíveis do que alguma vez estiveram. Não conheço na vida “real” tamanha disponibilidade para a partilha… Mais curioso ainda, é quando nos cruzamos com um “amigo facebookiano” – “olha, aquele é meu amigo no FB”! A pessoa que nos acompanha olha aterrada, põe um ar interrogador e, em silêncio, questiona o valor da sua amizade. Mais estranho, ainda, é quando três amigas verbalizam ao mesmo tempo a identificação de um “amigo” comum que curiosamente partilha o mesmo espaço público para jantar, isto é, um restaurante. A desilusão instala-se. O tal “amigo” é uma figura pública reconhecida. Nós somos três seres anónimos. Afinal o FB não nos trouxe nenhuma espécie de reconhecimento e mediatismo. Não há troca de “mimos” e palavras carinhosas. Afinal o nosso “amigo” não nos “liga” nenhuma! Admiração! Desilusão!
Perante esta realidade que decorre destas “amizades” virtuais, só me resta “desamigar” de todos aqueles que não são instituições, museus, bibliotecas, editoras, etc. (o gosto pelos livros é a principal razão para estar activa no FB) e retirar da minha “rede” todos os que, de carne e osso, possam alguma vez cruzar-se comigo e provocarem-me tamanha desilusão. De carne e osso só ficarão os meus AMIGOS e aqueles que de alguma forma fazem ou fizeram parte da minha vida e, por circunstâncias diversas, o FB facilita a partilha da minha amizade, reconhecimento e admiração. Vou continuar “amiga” daqueles em que a probabilidade de me cruzar com eles ao vivo é muito próxima da probabilidade de ganhar o euro milhões (raramente jogo!). Não é fácil, de um momento para o outro, e por causa de um “trauma”, largar esta utopia real onde todos são “amigos” e as possibilidades de ter ainda mais “amigos” é imensamente maior do que a de o meu maior AMIGO me contactar agora (que escrevo estas palavritas na maior das solidões) para me presentear com a sua presença.
A partir de agora a minha actividade vai centrar-se no BOOK e esquecer o FACE! Prometo. Juro. Nem que…
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