sábado, 24 de janeiro de 2009

Um fim de-semana-diferente


Gosto de ter a cama só para mim.
Gosto de acordar só.
Gosto de, bem cedo, poder abrir a janela e ficar a ler.
Gosto particularmente de ler na cama. Pela manhã.
De Inverno, de Verão, em todas as estações.
Gosto de pegar em todos os livros que tenho na minha mesa-de-cabeceira e ler e reler um pouco de todos.
Claro que não o posso fazer todos os dias. Até porque se o fizesse, era incapaz de parar de ler para ir trabalhar. É um privilégio poder ficar, durante toda a manhã, a ler na cama. É que depois, durante o dia, ficam palavras e imagens a pairar na minha mente, acompanham-me e fazem sentir-me diferente. Durante o dia sinto emoções que passam a ser minhas, reflicto sobre o mundo, os outros, como se a minha identidade se tivesse apropriado da mente de um Musil, de um Dagerman, de um Kafka, de um Oscar Wilde, de um Rainer Rilke, de um Paul Auster, de um Philipe Roth, de um…
O mundo só é aceitável porque existem livros, porque existem palavras que descrevem exactamente aquilo que sentimos e não somos capazes de escrever.
Quando leio vou à minha procura, à procura daquilo que sou, daquilo que sinto, daquilo que penso. Vou à procura do meu verdadeiro eu, da minha identidade e, quando me encontro, então aí, a angústia existencial paira levemente sobre mim e o peso de viver torna-se suportável.
Vou dormir. Antes disso vou ler. E depois vou sonhar. Vou sonhar com o livro da minha vida.

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