domingo, 31 de maio de 2009

Caos Calmo


Um filme pode salvar-nos? Um filme pode salvar-nos da dor da perda? Talvez. Talvez por mais um dia. Talvez enquanto perdurar o turbilhão de emoções que despertou.
Nanni Moretti. Pietro. Um homem. A dor. O caos. E, no entanto, a beleza da quietude enquanto espera. Enquanto ouve os problemas dos outros e assume o amor. A filha.
O título define o próprio sentir da narrativa. Um homem que perante o caos pára e observa. Sentado num banco de jardim observa as pequenas coisas que dão sentido à vida. Sentado, enquanto espera que a filha saia da escola, procura um sentido, o sentido. O sentido para a perda, o sentido para a dor.
Perante a fragilidade da vida, ausenta-se do mundo e é mero espectador. Procura a perspectiva correcta para poder voltar a viver. É este compasso de espera que permite a salvação, a libertação.
Hoje salvou-me. Salvou-te. Não sei do que precisarei amanhã para me sentir salva. Talvez de amor. Um sinal de amor.

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