quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

“Valha-nos Deus”

Gustave Courbet, A Origem do Mundo

Estes dias acompanhei o acontecimento que vem, depois dos comentários de um Arcebispo acerca do Império dos Sentidos, mais uma vez, e pelo pior motivo, apresentar Braga como a cidade pudica. Gosto especialmente desta palavra, sobretudo quando os pudicos pertencem a uma “sociedade” organizada e se denominam de PSP. Aquilo que mais me espantou foi a argumentação apresentada. Deu-me alguma satisfação e, como cidadã, fiquei a saber que posso recorrer a esta instituição sempre que me sentir “visualmente” ofendida: sempre que me cruzar na rua com um exemplar desta sociedade obscenamente feio, posso apresentar queixa. De imediata o dito exemplar será apreendido e substituído por um “belo” garante da segurança pública. Fiquei a saber que, sempre que os meus valores forem agredidos por imagens incómodas e com “conteúdo pornográfico”, posso apresentar queixa. Já agora, incomodam-me aquelas imagens de “gajas boas”, algumas delas com decotes sugestivos e altamente eróticos (eu não gosto de “gajas”), que passeiam pela cidade à boleia dos TUB. Sempre que, num sinal vermelho, paro atrás de um autocarro com este tipo de publicidade, fico altamente irritada e com dificuldade, até, de olhar para o retrovisor. É que estas “gajas” são um insulto para as comuns mortais que têm de andar de gola alta no Verão. Claro que para tapar um colo que já passou de prazo!!!
Não quero ver mais, na minha cidade, imagens que ponham em causa os meus valores e “bons costumes” e, sobretudo, a minha auto-estima. Senhor Comandante, por favor, considere que estou a apresentar queixa e quero ver apreendidas todas as imagens que possam agredir a minha auto-imagem e, já agora, recicle os seus exemplares que andam na rua. E diga-lhes, também, que arte e pornografia são coisas diferentes. Apresente-lhes o senhor Gustave Courbet e explique-lhes a origem do mundo. Se precisar de ajuda, estou disponível.


E saiba que obsceno, devasso e licencioso é o que se passa todos os dias na minha rua. Mas disso o senhor não quer saber.

1 comentário:

CarpeDiemaria disse...

Não sei o que se passa na tua rua... mas posso imaginar!

Quanto ao resto, assino por baixo!

Também aqui na minha terrinha encontro muitas imagens, na rua, que ferem a minha sensibilidade! E tal como tu, agora, sinto-me no direito de chamar a "autoridade".