domingo, 8 de fevereiro de 2009

Homenagem a uma Amiga


Hoje, especialmente hoje, não poderia deixar de partilhar contigo um poema de um livro que me ofereceste quando fiz 19 anos. Conhcíamo-nos há pouco tempo e, no entanto, grande parte daquilo que somos hoje já fazia parte de nós.



Angústia

Tortura do pensar! Triste lamento!

Quem nos dera calar a tua voz!

Quem nos dera cá dentro, muito a sós,

Estrangular a hidra num momento!


E não se quer pensar!... e o pensamento

Sempre a morder-nos bem, dentro de nós...

Querer apagar no céu - ó sonho atroz!

-O brilho duma estrela com o vento!...


E não se apaga, não... nada se apaga!

Vem sempre rastejando como a vaga...

Vem sempre perguntando: "O que te resta?..."


Ah! não ser mais que o vago, o infinito!

Ser pedaço de gelo, ser granito,

Ser rugido de tigre na floresta!


Florbela Espanca

2 comentários:

CarpeDiemaria disse...

Na altura era vidrada em poesia... e se havia alguém a quem eu poderia oferecer um livro desse teor, esse alguém, só podias ser tu!

De facto, houve rapidamente um "clique" entre nós, as duas, que o tempo nunca apagou...

CarpeDiemaria disse...

Ah, são belas, as tulipas!