
Hoje, especialmente hoje, não poderia deixar de partilhar contigo um poema de um livro que me ofereceste quando fiz 19 anos. Conhcíamo-nos há pouco tempo e, no entanto, grande parte daquilo que somos hoje já fazia parte de nós.
Angústia
Tortura do pensar! Triste lamento!
Tortura do pensar! Triste lamento!
Quem nos dera calar a tua voz!
Quem nos dera cá dentro, muito a sós,
Estrangular a hidra num momento!
E não se quer pensar!... e o pensamento
Sempre a morder-nos bem, dentro de nós...
Querer apagar no céu - ó sonho atroz!
-O brilho duma estrela com o vento!...
E não se apaga, não... nada se apaga!
Vem sempre rastejando como a vaga...
Vem sempre perguntando: "O que te resta?..."
Ah! não ser mais que o vago, o infinito!
Ser pedaço de gelo, ser granito,
Ser rugido de tigre na floresta!
Florbela Espanca
2 comentários:
Na altura era vidrada em poesia... e se havia alguém a quem eu poderia oferecer um livro desse teor, esse alguém, só podias ser tu!
De facto, houve rapidamente um "clique" entre nós, as duas, que o tempo nunca apagou...
Ah, são belas, as tulipas!
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